Epica + Vuur + Myrath @ Hard Club | 22.11.2017

Apesar de ainda recentemente terem estado festival VOA, os Epica regressaram para duas datas em Lisboa e Porto, comprovando pela afluência do público que têm uma numerosa e indefetível base de fãs no nosso país. A acompanhar os holandeses estiveram duas bandas que por si só já valiam a pena a deslocação ao Hard Club: os Myrath e os Vuur, o novo projeto de Anneke van Giersbergen.

A falta de espaço em palco e as deficientes condições de som e luminosidade não impediram os tunisinos Myrath de mostrarem a qualidade do seu power metal melódicos de influências árabes. Abrilhantada pela presença de uma dançarina do ventre portuguesa, a atuação iniciou-se com «Jasmim» e «Believer», temas do seu último álbum «Legacy». Zaher Zorgati mostrou toda a sua qualidade vocal e a capacidade de conquistar o público com o seu português quase irrepreensível. Foi pena o tempo ter sido tão curto pois seis temas apenas deixou muita água na boca aos fãs portuenses, que agora aguardam o, anunciado por Zaher Zorgati, regresso dos Myrath a Portugal em março do próximo ano para, finalmente, um concerto em que serão cabeças de cartaz. No entanto, até ao momento, nenhuma data está confirmada infelizmente.

Anneke van Giersbergen é, pela sua presença e carreira, uma personagem ímpar do heavy metal europeu. O seu trajeto com os The Gathering e as suas colaborações com nomes como Devin Townsend ou Ayreon colocam-na como uma das vocalistas mais respeitadas e adoradas pelos fãs de heavy metal. Vuur é o nome do seu novo projeto e neste concerto foram maioritariamente interpretados temas do disco de estreia «In This Moment We Are Free», uma viagem sonora por várias cidades do mundo. O ponto de partida foi Santiago com «Sail Away», seguindo-se-lhe Berlim com «My Champion». Pelo meio tivemos as interpretações de «The Storm» do projeto Gentle Storm e «Fallout» de Devin Townsend, para depois regressar à viagem do último disco com transbordos em Londres com «Days Go By»(filmada por Anneke com o seu telemóvel) e Helsínquia («Your Glorious Light Will Shine»). Muito bem acompanhada instrumentalmente, pudemos ouvir também em vários temas os dotes de Anneke enquanto guitarrista. A sua voz está mais madura mas mantém a mesma doçura e suavidade que sempre a caracterizaram. O momento alto do concerto foi sem dúvida a recordação «Strange Machines» dos The Gathering, numa performance verdadeiramente enternecedora e positivamente arrepiante.

À partida qualquer concerto dos Epica será sempre sinónimo de profissionalismo, alguma boa disposição e de prazer a ouvir (e ver) Simone Simons ao vivo. Após a introdução «Eidola», percebeu-se rapidamente que a pedra basilar do alinhamento seria o último álbum «The Holographic Principle» com a interpretação de «Edge of the Blade», «Phantasmic Parade», «Universal Death Squad», «Ascension/ Dream State Armageddon» e «Dancing in the Hurricane». Nesta última, nota para a performance de Coen Janssen e o seu peculiar teclado. Pelo meio tivemos «Wheel of Destiny», do mais recente EP «Solace System» e as recordações «Obsessive Devotion», «Unchain Utopia» e, obviamente, «Cry for the Moon». A interação com o público e as brincadeiras entre os músicos tornou-se mais frequente à medida que o concerto foi avançando e, já durante o encore, o ambiente tornou-se mais festivo ao som de «Sancta Terra» e da recente e fantástica «Beyond the Matrix», estando a longa apoteose final reservada para «Consign To Oblivion».

Moonspell + Bizarra Locomotiva @ Teatro Aveirense (Aveiro) | 10.11.2017

Depois das datas espanholas, a digressão ibérica de promoção a "1755" continuou em Portugal, sendo o acolhedor Teatro Aveirense, em Aveiro, um dos locais escolhidos. Com a plateia esgotada e o público ainda sentado, à exceção de uns bravos que se aglomeraram logo ao início em frente ao palco, os Bizarra Locomotiva iniciaram a sua arrebatadora atuação com «Febre de Ícaro». Sempre mergulhados na penumbra, Rui Sidónio foi, como sempre, o centro das atenções, misturando-se muitas vezes com o público. Em «Anjo Exilado» teve, no meio dos fãs, a companhia de Fernando Ribeiro, destacando-se ainda o final com «O Escaravelho»

Ao contrário das datas em Lisboa e Porto, aqui não tivemos a presença das Crystal Mountain Singers para engrandecer a apresentação de «1755» dos Moonspell. Mesmo assim, o grupo soou mais oleado do que na atuação que vimos no Hard Club, com os óbvios destaques para a presença de Paulo Bragança em «In Tremor Dei», a brutal «Todos os Santos» e a cada vez mais arrepiante «Lanterna dos Afogados». Apresentado o novo disco, os Moonspell fizeram a ligação para a parte «best of» da sua atuação com «Em nome do Medo», à qual se seguiram os clássicos «Vampiria» e «Alma Mater». «Breathe» e «Extinct» recordaram-nos o álbum anterior, estando o final reservado para outras três malhas icónicas: «Opium», «Awake» e «Full Moon Madness». Seria quase desnecessário referir que quase ninguém aguentou sentado na plateia até ao fim...

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Carlos Guimarães

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