KISS + Megadeth @ Estádio Municipal de Oeiras | 10.07.2018

Apesar da maioria do público ainda penar na longuíssima fila de acesso ao Estádio, os Megadeth entraram em palco ao som de «Hangar 18». Dave Mustaine começou logo a revelar algumas dificuldades vocais mas não mais do que as já habituais. Pouco comunicativo inicialmente, Mustaine liderou o grupo através de malhas como «The Conjuring», «The Threat is Real» e a muito aclamada «Sweating Bullets». Entretanto Kiko Loureiro mostrava-se à altura do posto que ocupa, sendo constantemente ovacionado pelos muitos fãs brasileiros presentes neste evento. À medida que o concerto ia avançando, os ânimos iam aquecendo entre o público da plateia com algumas sessões de mosh improvisadas junto à grade que separava a plateia do golden circle. Com projeções a complementar a performance em palco, ouvimos «Take No Prisioners», «Trust», «Tornado Of Souls» e «Dystopia». Para o final ficaram reservados aqueles temas que todos queriam ouvir: «Symphony Of Destruction», «Peace Sells…» (com a presença da mascote Vic Rattlehead em palco) e, já em encore, «Holy Wars». Pelo meio ouvimos Dave Mustaine a mostrar-se satisfeito por ter terminado a digressão de «Dystopia» em Portugal, com elogios ao público nacional.

Entretanto o Estádio Municipal de Oeiras já estava praticamente preenchido com ansiosos fãs de KISS, trinta e cinco anos depois da sua estreia no nosso País. Na altura foi no saudoso Dramático de Cascais, num concerto que foi simultaneamente a estreia dos KISS sem máscaras pintadas. Inicialmente tudo parecia correr mal. A lona que tapava o palco e que serviria para apresentar de forma estrondosa a banda caiu. Ouvimos o já tradicional «You want the best, you got the best…» enquanto os quatro elementos do grupo iam entrando em palco. «Deuce» foi tocada a meio gás com vários problemas técnicos nas guitarras, problemas esses que só seriam resolvidos depois de «Shout It Out Loud». Entretanto durante esta música os ecrãs de projeção começaram a não funcionar corretamente e foi preciso Paul Stanley arrastar a sua interação com o público para dar tempo para corrigir os problemas técnicos. Em «War Machine» já pudemos ver na sua plenitude o que é um concerto dos KISS. Ver porque é disto principalmente que se trata. Os músicos em palco, o cenário, as projeções, as explosões de pirotecnia e toda a parafernália de truques visuais disfarçam a realidade de termos um Stanley que não sabe cantar e músicos pouco acima da mediania. Em «Firehouse» tivemos Gene Simmons a cuspir fogo embora a maioria tivesse visto isto através das projeções ou dos ecrãs das centenas de telemóveis que teimavam em tapar a visão.

Surge então o guitarrista Tommy Thayer a cantar «Shock Me» complementando o seu momento com um solo de guitarra. Seguiram-se «Say Yeah», «I Love It Loud» e «Flamming Youth» sempre com um Stanley muito ativo no diálogo com o público. «Calling Dr. Love» e «Lick It Up» foram dois instantes mágicos, seguindo-se o momento demoníaco de Gene Simmons a cuspir sangue e a elevar-se para uma plataforma para cantar «God Of Thunder». «I Was Made For Loving You» não podia faltar, sendo cantada pela maioria do público presente. Outro momento alto foi «Love Gun» com Paul Stanley a voar por entre o público para cantar noutra plataforma montada por cima da régie. Ainda nesse sítio deu início à «Black Diamond» cantada principalmente pelo baterista Eric Singer. Para o encore ficaram reservadas «Cold Gin» e já em apoteose total tivemos direito às imprescindíveis «Detroit Rock City» e «Rock And Roll All Nite». Nesta parte final caiu uma chuva de confetes que, misturada com explosões, fumo, as luzes e a pirotecnia, fez com que nunca ninguém se esqueça deste concerto. Após o fogo-de-artifício o público começou a sair lentamente para a única porta de saída enquanto ouvia-se a gravação de «God Gave Rock 'n' Roll to You II». Nesta noite Portugal ficou a perceber finalmente quem são os KISS e do que eles são capazes: indubitavelmente um dos melhores espetáculos visuais que tivemos a oportunidade de ver em Portugal. [CG]

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Carlos Guimarães

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