Ozzy Osbourne + Judas Priest @ Altice Arena | 02.07.2018

As primeiras linhas desta reportagem foram escritas e reescritas várias vezes pois é difícil expressar por palavras o sentimento partilhado por todos os que estiveram presentes na Altice Arena na noite de 2 de julho. Em palco vimos dois dos maiores nomes do heavy metal, responsáveis pela definição de uma sonoridade ainda nos finais da década de setenta e cimentada durante os oitenta: Judas Priest e Ozzy Osbourne.

Apesar da renovação na formação os britânicos continuam a oferecer concertos inolvidáveis, ainda mais com um novo disco que transpira a Judas Priest por todos os poros. Foi com «Firepower» que o Sr. Rob Halford entrou em palco, acompanhado pelos habituais Ian Hill e Scott Travis na secção rítmica. Nas guitarras Richie Faulkner assumiu o protagonismo muito bem secundado pelo experiente Andy Sneap. Entre o tema de entrada e o segundo tema interpretado do novo disco, «Lightning Strikes», surgiu uma galeria de malhas inesquecíveis como «Grinder», «Sinner» e «The Ripper». Do baú os Judas Priest retirariam «Bloodstone» com «Turbo Lover» a fazer a ponte para a terceira e última apresentação do novo disco, «Rising From Ruins». Com Rob Halford numa forma invejável, não houve descanso até ao encore com «Freewheel Burning», «You've Got Another Thing Comin'», «Hell Bent for Leather» (com direito à Harley Davidson em palco) e claro a «Painkiller», introduzida por Scott Travis. No encore a surpresa foi a presença de Glenn Tipton em palco a interpretar «Metal Gods» e a muito correspondida pelo público «Breaking The Law». E para gáudio de todos surgiu no final a mensagem «THE PRIEST WILL BE BACK».

Se a noite fosse só com Judas Priest acredito que muitos sairiam na mesma sorridentes da sala lisboeta, por isso imaginem o sentimento partilhado no público ao escutar «O Fortuna» de Carl Orff, a já lendária introdução aos concertos de Ozzy. No ecrã gigante que ocupava grande parte do cenário do palco, dividido por uma cruz, víamos imagens do passado do ex-vocalista dos Black Sabbath, aumentando ainda mais a ansiedade entre aqueles que teriam a oportunidade de ver Ozzy pela primeira vez. «Bark At The Moon», «Mr. Crowley» e «I Don’t Know» deixaram todos rendidos àquele senhor simpático que estava em cima do palco, mais perto da imagem de um veterano instrutor de aeróbica do que do Príncipe das Trevas. De repente voltamos a 1970 e a «Fairy Wear Boots», o primeiro dos três temas dos Black Sabbath apresentados nesta noite. «Suicide Solution», a arrepiante «No More Tears» e «Road To Nowhere» anteciparam outro dos momentos altos da noite, com «War Pigs» a durar eternamente com um longo solo de Zakk Wylde. O guitarrista veio para o fosso e apresentou um solo invejável e quase interminável de todas as formas e feitios, com a guitarra por detrás das costas, com os dentes a servir de palheta, enfim… E como se não bastasse (até porque é preciso de dar tempo de descanso ao senhor de 69 anos que andava ali aos saltos como uma criança), Zakk continuou o seu show pessoal solando num medley com partes de «Miracle Man», «Crazy Babies», «Desire» e «Perry Mason». Depois foi tempo de outra demonstração de perícia técnica, desta vez do baterista Tommy Clufetos. O Sr. Ozzy sempre soube rodear-se de excelentes músicos e se Zakk Wylde já dispensa apresentações, Tommy espantou todos na bateria, Rob Nicholson foi o habitual baixista sólido e Adam Wakeman (o filho de Rick Wakeman dos Yes) segurou as pontas nas teclas e guitarra. Depois tivemos direito a «I Don’t Want to Change the World». Ainda relativamente ao senhor vestido com um kilt, por vezes Zakk exagerava completamente na personalização que fazia das malhas de Randy Rhoads e Jake E. Lee, com os harmónicos a surgirem por tudo e por nada. Isto notou-se de forma evidente em «Shot In The Dark» e «Crazy Train».

Ozzy continua a parecer em palco um menino numa loja de brinquedos, com um sorriso matreiro e sempre a puxar pelo público com as suas coreografias. E foi o próprio a incentivar o encore com um “One More Song!”. E este surgiu na forma de «Mama, I’m Coming Home» e de um atabalhoado «Paranoid». Para a maioria foi a primeira e talvez a última vez que viram Ozzy. Mas pessoalmente quando o vi há vinte anos em Milton Keynes (na altura também com os Black Sabbath) também pensei que seria a primeira e a última. Resta desejar uma “No More Tours 3” até porque é preciso salvaguardar a sua reforma e o futuro financeiro da sua extensa descendência.

[CG]

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Carlos Guimarães

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