Therion + Imperial Age + Null Positiv + Midnight Eternal @ Hard Club | 21.02.2018

Os Therion regressaram ao Porto ao fim de vinte anos e com certeza mereciam, tal como as bandas de abertura, que o público nortenho afluísse ao Hard Club de forma mais numerosa para que esta noite tivesse ocorrido na sala principal. Encheu-se a sala 2 mas era bem visível que o espaço em palco era demasiado curto para bandas como os Therion e Imperial Age.

Com quatro bandas numa noite de quarta-feira, o evento iniciou-se por volta das 19 horas impedindo muitos de apreciarem o power metal sinfónico dos norte-americanos Midnight Eternal. Os Null Positiv eram os outsiders da noite pois fogem completamente em termos musicais do estilo das restantes bandas. Entre o metal mais moderno e as sonoridades mais industriais, a banda germânica cedo cativou os presentes, muito graças à presença imponente da vocalista Elli Berlin. Malhas como «Labyrinth», «Friss dich auf», «Koma» ou a mais calma e cantada em inglês «Scars», deixaram boquiabertos muitos dos presentes devido à forma animalesca e ao mesmo tempo sensual com que Elli, no alto do seu aproximadamente um metro e noventa centímetros, se movimentava em palco.

Da Rússia vieram os Imperial Age com o seu metal sinfónico cheio de melodia e com a particularidade de ter, à semelhança da banda que encabeçava o cartaz, três vocalistas. Muitas vezes acotovelando-se em palco, Alexander Osipov, Jane Odintsova e Anna Moiseeva dominaram por completo as atenções do público com as suas interações. Com o elemento masculino a assumir o papel de interlocutor principal, Jane Odintsova a mostrar-se mais desinibida em palco e Anna a surpreender com a sua voz cristalina, os Imperial Age concentraram a sua atuação na promoção do seu recente disco «The Legacy Of Atlantis», com destaque para «The Awakening», «The Escape» e «Domini Canes». Houve ainda tempo para relembrar três temas do álbum anterior, entre eles o emblemático «Aryavarta», terminando os moscovitas o concerto da mesma forma como terminam o novo disco, ou seja, interpretando «And I Shall Find My Home».

Os Therion visitavam Portugal para promover a sua mais recente obra-prima, «The Beloved Antichrist», um triplo disco com mais de três horas de duração. «Theme Of Antichrist» foi o primeiro dos cinco temas interpretados deste lançamento, distribuídos de forma criteriosa ao longo do alinhamento. O principal compositor e impulsionador do grupo, Christofer Johnsson, assume ao vivo um papel secundário em termos de interpretação mas omnipresente pois todos os restantes membros giram em seu torno. O argentino Christian Vidal assume as principais tarefas na guitarra, distribuindo constantemente sorrisos e boa disposição enquanto o baixista Björn Nalle Påhlsson mostrou possuir também dotes vocais, para além de uma ligação já cimentada com o baterista Sami Karppinen. Com a parte orquestral a surgir diretamente da mesa de mistura, foi o vocalista Thomas Vikström quem nos serviu de guia ao longo de um concerto marcado inicialmente por temas como «The Blood Of Kingu» e «Din», este último com a presença em palco da muito aplaudida Elli Berlin dos Null Positiv. De regresso ao novo disco escutamos «Bring Her Home» e «Night Reborn», notando-se cada vez mais a exiguidade do espaço pois Thomas Vikström, a sua filha Linnéa Vikström e Chiara Malvestiti tinham que por vezes esforçarem-se para não esbarrarem uns com os outros. Em termos vocais, os três estiveram a roçar a perfeição, destacando-se a solidez e alargado leque vocal de Thomas, o alcance e nitidez da italiana e a maior rebeldia (a começar pela roupa em palco) de Linnéa. «Nifelheim», «Ginnungagap» e «Typhon» antecederam uma nova passagem pela história do Anticristo com «Temple Of Jerusalem», seguindo-se-lhe «An Arrow From The Sun». «Wine Of Aluqah», «Lemuria» e «Cults Of The Shadow» foram dos temas mais aplaudidos da noite quando já se notava que o concerto caminhava para a sua reta final. «The Khlysti Evangelist», a nova «My Voyage Carries On», «The Invincible» (um dos poucos momentos menos conseguidos da noite), «Der Mitternachtslöwe» e a grande malha que é «Son Of The Staves Of Time» encerraram o alinhamento. O encore estava reservado para dois dos temas mais carismáticos da banda sueca, «The Rise Of Sodom And Gomorrah» e «To Mega Therion» que terminou em verdadeira apoteose. Antes disso foi tempo de Christofer Johnsson efetuar um pequeno discurso relembrando a última visita ao Porto há vinte anos atrás.

Mais uma bela noite de metal no Hard Club do Porto, cortesia da NotreDame Productions que teve a coragem de trazer à cidade invicta este recheado cartaz. [CG]  

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Carlos Guimarães

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